{"id":1176,"date":"2020-08-14T12:04:07","date_gmt":"2020-08-14T15:04:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1176"},"modified":"2020-12-15T10:08:00","modified_gmt":"2020-12-15T13:08:00","slug":"pesquisadores-descrevem-nova-especie-de-lagostim-fossil-encontrada-na-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/08\/14\/pesquisadores-descrevem-nova-especie-de-lagostim-fossil-encontrada-na-antartica\/","title":{"rendered":"Pesquisadores descrevem nova esp\u00e9cie de lagostim f\u00f3ssil encontrada na Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Por Lidia Neves &#8212; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um grupo de pesquisadores publicou,&nbsp;nesta semana, um artigo com a descri\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil de um lagostim encontrado pela primeira vez, na Ant\u00e1rtica. A pesquisa foi coordenada pelo professor Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Ufes. Esse foi o primeiro lagostim descoberto e descrito por um grupo de pesquisadores brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi divulgada nesta quinta-feira, 13, em entrevista coletiva realizada pelo Museu Nacional com a presen\u00e7a de jornalistas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre os sete paleont\u00f3logos que participaram da expedi\u00e7\u00e3o em que o f\u00f3ssil foi encontrado, est\u00e3o os professores da Ufes Rodrigo Figueiredo e Ta\u00edssa Rodrigues, respectivamente, do Departamento de Biologia do campus de Alegre e do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas do campus de Goiabeiras. O achado se deu na segunda expedi\u00e7\u00e3o do projeto Paleoantar, realizada no ver\u00e3o de 2015\/2016. O projeto se dedica a coletar e estudar rochas e f\u00f3sseis da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O f\u00f3ssil, analisado em laborat\u00f3rio por pesquisadores do Museu de Paleontologia Pl\u00e1cido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (Urca), no Cear\u00e1, recebeu o nome cient\u00edfico de&nbsp;<em>Hoploparia echinata<\/em>. Segundo o diretor do Museu, Alysson Pinheiro, o material foi analisado por tr\u00eas anos, para verificar as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a outras esp\u00e9cies encontradas anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO&nbsp;<em>Hopoplaria<\/em>&nbsp;\u00e9 um grupo de lagostins bem diverso, com 67 esp\u00e9cies j\u00e1 descritas, todas f\u00f3sseis. Algumas foram encontradas na Europa e outras, em bacias dos Estados Unidos. Ao contr\u00e1rio das outras esp\u00e9cies conhecidas de f\u00f3sseis desse grupo, o&nbsp;<em>H<\/em>.&nbsp;<em>echinata<\/em>&nbsp;tem espinhos presentes nas patas e no aparato bucal\u201d, explica Pinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lagostim data de cerca de 70 milh\u00f5es de anos, correspondente ao per\u00edodo Cret\u00e1ceo Superior, que sucedeu o per\u00edodo Jur\u00e1ssico na Era Mesozoica. O f\u00f3ssil provavelmente se refere a uma troca de exoesqueleto do organismo, segundo Pinheiro, uma vez que as partes estavam bastante desarticuladas entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores apontam que provavelmente o&nbsp;<em>Hopoplaria echinata<\/em>&nbsp;vivia em um ambiente marinho raso, em tocas, isolado, e alimentava-se capturando peixes com suas garras ou se aproveitando de carca\u00e7as de outros animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.ufes.br\/sites\/default\/files\/imce\/fossil_lagostin.jpg\">A rocha com o f\u00f3ssil foi localizada pelo professor e paleont\u00f3logo Alexander Kellner, coordenador do Paleoantar. \u201cEstava andando com um colega e encontrei a primeira parte. Sab\u00edamos que teria o outro lado por perto, e encontramos o segundo exemplar a cerca de 10 a 15 metros de dist\u00e2ncia\u201d, relatou.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material foi encontrado na Ilha de James Ross, na Forma\u00e7\u00e3o Lachman Crags, que fica na Enseada Santa Marta, localidade onde a equipe estava acampada. \u201cChegar a essa regi\u00e3o \u00e9 um desafio. As condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o muito severas e a quantidade de gelo no mar causa uma grande dificuldade de navega\u00e7\u00e3o. O trabalho de campo consiste em procurar os f\u00f3sseis, em terrenos acidentados e em longas dist\u00e2ncias. Muitas vezes, os f\u00f3sseis est\u00e3o fragmentados, devido \u00e0 din\u00e2mica do gelo, que destr\u00f3i a rocha em que eles se encontram. Por isso, o f\u00f3ssil ant\u00e1rtico \u00e9 raro e, quando o encontramos, tem o potencial de trazer novas informa\u00e7\u00f5es sobre animais e plantas que viveram h\u00e1 milh\u00f5es de anos\u201d, explica o professor Rodrigo Figueiredo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente do que se imagina, os f\u00f3sseis n\u00e3o s\u00e3o encontrados em geleiras, como explica a professora Taissa Rodrigues.&nbsp;\u201cNa verdade, os f\u00f3sseis est\u00e3o nas rochas&nbsp;e, para encontr\u00e1-los, elas n\u00e3o podem estar no gelo e na neve, elas precisam estar descobertas. Temos uma \u00fanica janela de tempo, que \u00e9 no ver\u00e3o, para ir para a Ant\u00e1rtica e descobrir esses f\u00f3sseis\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expedi\u00e7\u00e3o teve a dura\u00e7\u00e3o total de 70 dias, entre o tempo de deslocamento, de montagem e desmontagem do acampamento e de pesquisa efetivamente, que durou cerca de 45 dias.&nbsp;\u201cA principal dificuldade n\u00e3o \u00e9 a temperatura, que varia de 15 graus Celsius negativos a 10 positivos no ver\u00e3o, mas sim o vento\u201d, detalha o diretor do Museu Nacional. \u201cDurante uma expedi\u00e7\u00e3o, todo mundo faz de tudo, desde montar a barraca at\u00e9 cozinhar e participar da busca do material&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s atuar nessa expedi\u00e7\u00e3o que encontrou o lagostim, que foi a 34<sup>a<\/sup>, o professor Rodrigo Figueiredo participou de outras tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es, sendo em duas como coordenador, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o com a Marinha do Brasil e pela defini\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de campo a ser analisada. \u201cNos \u00faltimos anos, tamb\u00e9m temos recebido parte desses materiais e amostras para a an\u00e1lise e, com isso, um pouco desse material tamb\u00e9m vai estar exposto para o p\u00fablico capixaba em breve\u201d, completa o pesquisador da Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Relev\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Paleoantar \u00e9 financiado por um edital do Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (Proantar) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), que tamb\u00e9m selecionou outros 19 projetos de pesquisa brasileiros. O l\u00edder do Proantar, Jefferson Sim\u00f5es, destacou a import\u00e2ncia desse projeto de paleontologia na Ant\u00e1rtica para a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do continente americano, que come\u00e7ou a se estruturar nesse per\u00edodo Cret\u00e1ceo Superior, e dos oceanos que o cercam. \u201cEste projeto faz parte de uma grande meta, que \u00e9 conhecer o papel da Ant\u00e1rtica na abertura do Oceano Atl\u00e2ntico Sul e o desenvolvimento das bacias sedimentares e a presen\u00e7a de \u00f3leo e g\u00e1s nelas, inclusive os nossos recursos e o pr\u00e9-sal\u201d, aponta Sim\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Juliana Say\u00e3o, pesquisadora do Museu Nacional\/UFRJ e vice-coordenadora do Paleoantar, que tamb\u00e9m participou da expedi\u00e7\u00e3o, destaca que o f\u00f3ssil de lagostim foi encontrado em terra firme. \u201cPara a Paleontologia, esse fato indica que aquele lugar foi muito diferente no passado, e devemos lembrar que a Am\u00e9rica do Sul fazia parte do mesmo continente que a Ant\u00e1rtica. Poucas pessoas t\u00eam acesso \u00e0 Ant\u00e1rtica, ent\u00e3o todas as descobertas na regi\u00e3o s\u00e3o de grande import\u00e2ncia no cen\u00e1rio internacional\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta foi a terceira esp\u00e9cie de lagostim descrita na Ant\u00e1rtica, o que, para o professor Kellner, contribui para um maior conhecimento da biodiversidade daquela regi\u00e3o. \u201c\u00c9 um desafio tentar entender a biodiversidade da Ant\u00e1rtica do passado em compara\u00e7\u00e3o com a atual e com a rela\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o dos organismos entre os v\u00e1rios continentes\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma r\u00e9plica do lagostim foi feita pelo paleoartista Maur\u00edlio Oliveira, do Museu Nacional, onde&nbsp;ficar\u00e1 exposta. Outra r\u00e9plica ser\u00e1 entregue para o Museu Pl\u00e1cido Cidade Nuvens, sediado em Santana do Cariri (CE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto: Lidia Neves<br>Imagens: Divulga\u00e7\u00e3o Paleoantar<br>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Lidia Neves &#8212; Um grupo de pesquisadores publicou,&nbsp;nesta semana, um artigo com a descri\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil de um lagostim encontrado pela primeira vez, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/08\/14\/pesquisadores-descrevem-nova-especie-de-lagostim-fossil-encontrada-na-antartica\/\" title=\"Pesquisadores descrevem nova esp\u00e9cie de lagostim f\u00f3ssil encontrada na Ant\u00e1rtica\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":1177,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[9,47],"tags":[86,87],"class_list":["post-1176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-online","tag-nova-especie","tag-paleontologia"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",1280,905,false],"thumbnail":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",150,106,false],"medium":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",300,212,false],"medium_large":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",768,543,false],"large":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",1024,724,false],"1536x1536":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",1280,905,false],"2048x2048":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",1280,905,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",619,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",539,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",678,479,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",326,230,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/08\/Hoploparia-2-m.jpg",80,57,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Lidia Neves &#8212; Um grupo de pesquisadores publicou,&nbsp;nesta semana, um artigo com a descri\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil de um lagostim encontrado pela primeira vez, [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1176"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1436,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176\/revisions\/1436"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}