{"id":3337,"date":"2024-07-30T16:33:09","date_gmt":"2024-07-30T19:33:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3337"},"modified":"2024-08-20T15:16:09","modified_gmt":"2024-08-20T18:16:09","slug":"pesquisa-propoe-tecnica-de-neurorreabilitacao-de-pacientes-que-sofrem-com-avc-cronico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/2024\/07\/30\/pesquisa-propoe-tecnica-de-neurorreabilitacao-de-pacientes-que-sofrem-com-avc-cronico\/","title":{"rendered":"Pesquisa prop\u00f5e t\u00e9cnica de neurorreabilita\u00e7\u00e3o de pacientes que sofrem com AVC cr\u00f4nico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Ghenis Carlos*<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados da Federa\u00e7\u00e3o Mundial do AVC indicam que 13,7 milh\u00f5es de pessoas sofrem Acidente Vascular Cerebral (AVC) a cada ano. As sequelas que permanecem podem configurar ainda o quadro cl\u00ednico para AVC cr\u00f4nico. Nesse contexto, os pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Rob\u00f3tica e Tecnologia Assistiva (LRTA) da Ufes desenvolveram uma t\u00e9cnica que usa a imagina\u00e7\u00e3o e dispositivos rob\u00f3ticos para ajudar os pacientes a recuperar seus movimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo utiliza sensores eletr\u00f4nicos que, acoplados \u00e0 cabe\u00e7a do paciente, coletam sinais cerebrais gerados pelo ato de imaginar determinado movimento (eletroencefalograma). Os sinais captados induzem o movimento aos membros afetados pelo AVC, atrav\u00e9s de um suporte rob\u00f3tico (exoesqueleto). Ao repetir muitas vezes essa atividade de imaginar o movimento e ter sua reprodu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do exoesqueleto, o c\u00e9rebro ent\u00e3o consegue encontrar caminhos alternativos que fa\u00e7am esse membro voltar a se mover.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia El\u00e9trica e Biotecnologia da Ufes e orientador da pesquisa, Teodiano Freire Bastos Filho, explica que em geral o AVC danifica uma \u00e1rea do c\u00e9rebro respons\u00e1vel por fun\u00e7\u00f5es motoras. A ideia consiste em estimular o c\u00e9rebro a buscar outra \u00e1rea cerebral para voltar a controlar os movimentos. Para estimular a imagina\u00e7\u00e3o, a pesquisa conta com est\u00edmulos visuais proporcionados por um sistema de realidade virtual 2D. A tal modelo de tratamento se atribui o nome de neurorreabilita\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"732\" height=\"391\" src=\"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3342\" srcset=\"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/image-1.png 732w, https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/image-1-300x160.png 300w\" sizes=\"(max-width: 732px) 100vw, 732px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO diferencial da terapia \u00e9 o uso da imagina\u00e7\u00e3o do movimento para recuper\u00e1-lo. Antes de um movimento ser executado, a mente humana o imagina. No caso das pessoas que sofreram AVC, essa imagina\u00e7\u00e3o ocorre normalmente, mas o membro \u00e9 incapaz de realizar o comando. O que a gente faz para prender a aten\u00e7\u00e3o da pessoa de forma muito efetiva \u00e9, por exemplo, exibir na tela do computador algu\u00e9m pegando um copo e bebendo \u00e1gua\u201d, detalha o professor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Movimentos complexos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o trabalho com movimentos complexos visando a um alto grau de melhora dos pacientes. Esses movimentos s\u00e3o justamente aqueles presentes na vida di\u00e1ria, como o ato de se alimentar. Ao explorar a imagina\u00e7\u00e3o desses movimentos mais complexos, observou-se melhora ainda mais r\u00e1pida no processo de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa literatura j\u00e1 h\u00e1 muitos estudos sobre a imag\u00e9tica motora simples, o movimento da m\u00e3o simples, mas com esses movimentos n\u00e3o se exige tanto. Ent\u00e3o, na pesquisa a pessoa tem que imaginar alcan\u00e7ar um copo com a m\u00e3o, agarr\u00e1-lo e lev\u00e1-lo at\u00e9 a boca, simulando que bebe alguma coisa, e depois retornar o copo e a m\u00e3o para as posi\u00e7\u00f5es iniciais\u201d, declara o ent\u00e3o aluno integrante da pesquisa Cristian Mendez, orientado pelo professor Bastos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Metodologia e resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bastos pondera que a t\u00e9cnica de eletroencefalografia (EEG) com eletrodos para captar sinais el\u00e9tricos do c\u00e9rebro j\u00e1 \u00e9 conhecida e usada pelos neurologistas para diagnosticar a epilepsia, por exemplo. Mas frisa que o diferencial da pesquisa \u00e9 o uso do EEG para identificar a imagina\u00e7\u00e3o motora, sendo que o grupo de pesquisa obteve uma taxa de acerto na detec\u00e7\u00e3o desses sinais da ordem de 97%. Esse resultado promove as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o funcionamento da neuroplasticidade, capacidade do sistema nervoso central de se adaptar \u00e0s novas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda utilizando os sinais cerebrais provindos da imagina\u00e7\u00e3o, o professor atua em outra pesquisa voltada \u00e0 neurorreabilita\u00e7\u00e3o do movimento dos membros inferiores. Ele explica que, em certos casos, h\u00e1 at\u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de toxina botul\u00ednica (botox) no membro afetado, pois, devido ao AVC cr\u00f4nico, este acaba ficando r\u00edgido, n\u00e3o permitindo que o exoesqueleto realize o movimento induzido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA aplica\u00e7\u00e3o do botox ent\u00e3o diminui a rigidez muscular (espasticidade), relaxando os m\u00fasculos, e a pessoa consegue, por exemplo, abrir uma m\u00e3o ou mover uma perna com a ajuda rob\u00f3tica (exoesqueleto). S\u00e3o resultados muito significativos, porque os pacientes p\u00f3s-AVC, ao serem levados ao Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o F\u00edsica do Esp\u00edrito Santo (Crefes), em Vila Velha, na fase aguda, levam de dois a tr\u00eas meses para demonstrar alguma melhora. Com nossos pacientes, esse tempo foi reduzido para duas a tr\u00eas semanas\u201d, frisa o professor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O estudo utiliza sensores eletr\u00f4nicos que, acoplados \u00e0 cabe\u00e7a do paciente, coletam sinais cerebrais gerados pelo ato de imaginar determinado movimento<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3338,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[198,200,201],"class_list":["post-3337","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-neurorreabilitacao","tag-ppgbiotec","tag-ppgee"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280.jpg",1280,968,false],"thumbnail":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-300x227.jpg",300,227,true],"medium_large":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-768x581.jpg",768,581,true],"large":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-1024x774.jpg",1024,774,true],"1536x1536":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280.jpg",1280,968,false],"2048x2048":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280.jpg",1280,968,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/07\/brain-1845940_1280-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli-checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":2,"uagb_excerpt":"O estudo utiliza sensores eletr\u00f4nicos que, acoplados \u00e0 cabe\u00e7a do paciente, coletam sinais cerebrais gerados pelo ato de imaginar determinado movimento","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3337"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3343,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3337\/revisions\/3343"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}