{"id":3692,"date":"2025-07-31T19:22:37","date_gmt":"2025-07-31T22:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3692"},"modified":"2025-08-28T19:16:27","modified_gmt":"2025-08-28T22:16:27","slug":"pesquisadores-da-ufes-integram-projeto-internacional-com-maior-telescopio-fotografico-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/07\/31\/pesquisadores-da-ufes-integram-projeto-internacional-com-maior-telescopio-fotografico-do-mundo\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Ufes integram projeto internacional com maior telesc\u00f3pio fotogr\u00e1fico do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Adriana Damasceno<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da Ufes est\u00e3o participando de um dos maiores projetos da astronomia mundial: o Observat\u00f3rio Vera Rubin, localizado no deserto do Atacama, no Chile, que utiliza o Grande Telesc\u00f3pio de Rastreamento Sin\u00f3ptico (<em>Large Synoptic Survey Telescope &#8211;&nbsp;<\/em>LSST), considerado o maior telesc\u00f3pio fotogr\u00e1fico do mundo na atualidade. Com imagens de alt\u00edssima resolu\u00e7\u00e3o captadas em intervalos regulares, o LSST promete transformar a compreens\u00e3o do universo, possibilitando o mapeamento completo do c\u00e9u do Hemisf\u00e9rio Sul e a investiga\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es fundamentais sobre mat\u00e9ria escura e outros fen\u00f4menos astron\u00f4micos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A principal participa\u00e7\u00e3o da Ufes no LSST envolve professores e pesquisadores de mestrado e doutorado vinculados ao N\u00facleo de Astrof\u00edsica e Cosmologia (Cosmo\/Ufes), que desenvolvem seus estudos nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Astrof\u00edsica, Cosmologia e Gravita\u00e7\u00e3o (PPGCosmo) e em F\u00edsica (PPGFis); e no Laborat\u00f3rio Multiusu\u00e1rio de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (Sci-Com). Desde 2019, a equipe do Cosmo\/Ufes vem atuando no projeto por meio de estudos que usam m\u00e9todos estat\u00edsticos para analisar explos\u00f5es estelares (chamadas supernovas), aplica\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial para estimar a dist\u00e2ncia entre objetos no espa\u00e7o, e identifica\u00e7\u00e3o de sinais vis\u00edveis (como luz) que acompanham fen\u00f4menos c\u00f3smicos extremos (como colis\u00f5es entre buracos negros ou estrelas de n\u00eautrons).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim de junho, o Observat\u00f3rio Vera Rubin divulgou suas primeiras imagens, revelando milh\u00f5es de gal\u00e1xias e estrelas da Via L\u00e1ctea, al\u00e9m de milhares de asteroides. Para o coordenador do PPGCosmo\/Ufes, Val\u00e9rio Marra, o LSST \u00e9 um dos maiores projetos de astronomia da atualidade. \u201cSua import\u00e2ncia \u00e9 m\u00e1xima, tanto para o avan\u00e7o cient\u00edfico global quanto para a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos altamente qualificados no Brasil e na Ufes\u201d, avalia Marra, que, em 2019, ganhou destaque ao se tornar um dos principais investigadores do&nbsp;<em>LSST Brazilian Participation Group<\/em>&nbsp;<em>(<\/em>Grupo Brasileiro de Participa\u00e7\u00e3o no LSST).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Potencial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador do Laborat\u00f3rio de Telecomunica\u00e7\u00f5es (LabTel\/Ufes) Mois\u00e9s Ribeiro, os dados divulgados pelo Observat\u00f3rio podem revelar fen\u00f4menos c\u00f3smicos em uma escala sem precedentes, destacando o potencial do telesc\u00f3pio para transformar a astronomia moderna. \u201cAl\u00e9m disso, os requisitos de qualidade para transporte dos imensos volumes de dados gerados pelo Vera Rubin por longas dist\u00e2ncias podem tamb\u00e9m exigir uma transforma\u00e7\u00e3o na engenharia das redes de computadores que conhecemos hoje\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufes.br\/system\/files\/2025-07\/whatsapp_image_2025-07-09_at_12.55.09.jpeg\" alt=\"Foto do Observat\u00f3rio Vera Rubin, no deserto do Atacama\" title=\"O Observat\u00f3rio Vera Rubin, no deserto do Atacama (Chile)\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Observat\u00f3rio Vera Rubin, no deserto do Atacama (Chile)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Ribeiro, o LSST \u00e9 um projeto complexo que apresenta desafios a serem superados, como a transmiss\u00e3o de imagens desde a origem (no Chile) at\u00e9 o ponto de armazenamento e processamento (na costa oeste norte-americana). Nesse sentido, al\u00e9m das an\u00e1lises ligadas \u00e0s \u00e1reas da F\u00edsica, como Astrof\u00edsica e Cosmologia, o projeto tamb\u00e9m conta com a contribui\u00e7\u00e3o de pesquisadores de outras \u00e1reas, como Inform\u00e1tica e Engenharia El\u00e9trica, que se dedicam a estudar formas eficientes de transmitir os dados cient\u00edficos gerados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o pesquisador, todas as atividades que lidam com alta capacidade de transmiss\u00e3o de dados envolvem comunica\u00e7\u00f5es de sinais luminosos sobre fibras \u00f3pticas (fot\u00f4nica) e fazem parte de iniciativas ligadas a um \u201cseleto\u201d grupo de universidades brasileiras (entre elas, a Ufes), que integram o Sistema Nacional de Laborat\u00f3rios de Fot\u00f4nica (Sisf\u00f3ton) e o programa&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufes.es\/93z2LA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>e-Ci\u00eancia<\/strong><\/a>, ambos financiados pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI). Para ele, estas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o refor\u00e7adas pela recente aprova\u00e7\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufes.es\/pK50oo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) em Fot\u00f4nica da Ufes<\/strong><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Inser\u00e7\u00e3o internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs experimentos s\u00e3o realizados utilizando infraestruturas f\u00edsicas de transmiss\u00e3o e roteamento de alta capacidade chamadas \u2018testebeds\u2019, que s\u00e3o compartilhadas pela Rede Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa (RNP) e outras institui\u00e7\u00f5es que atuam de forma integrada. Nesta rede colaborativa, os pesquisadores buscam viabilizar solu\u00e7\u00f5es para lidar com os requisitos extremos do transporte de dados cient\u00edficos, como \u00e9 o caso do telesc\u00f3pio LSST\u201d, diz Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufes.br\/system\/files\/2025-07\/whatsapp_image_2025-07-09_at_12.55.07.jpeg\" alt=\"Vista noturna do Observat\u00f3rio Vera Rubin\" title=\"Vista noturna do Observat\u00f3rio Vera Rubin\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vista noturna do Observat\u00f3rio Vera Rubin<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta rede de alta capacidade que serve ao Observat\u00f3rio Vera Rubin j\u00e1 tem dispon\u00edvel um sistema inovador chamado PolKA (<em>Polynomial Key-based Architecture for Source Routing in Network Fabrics<\/em>), que foi integralmente concebido e desenvolvido pela Ufes para o roteamento de pacotes de dados. O PolKA est\u00e1 atualmente em fase de testes para assegurar a rapidez e a confiabilidade necess\u00e1rias \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de redes de comunica\u00e7\u00e3o de alto desempenho, como a que serve \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do LSST. \u201cA tecnologia do PolKA possui caracter\u00edsticas \u00fanicas, que n\u00e3o existem nos protocolos instalados em equipamentos comerciais de redes, e est\u00e1 sendo generosamente disponibilizada pela Ufes neste esfor\u00e7o coletivo para o progresso das redes acad\u00eamicas, ainda no esp\u00edrito pioneiro da cria\u00e7\u00e3o da internet, que puxam as redes comerciais posteriormente\u201d, explica Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inova\u00e7\u00e3o foi desenvolvida pela professora do Instituto Federal do Esp\u00edrito Santo (Ifes) Cristina Dominicini durante seu doutorado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Inform\u00e1tica (PPGI\/Ufes) e teve o professor Magnos Martinello como orientador. Para ele, o sistema \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o da Ufes no cen\u00e1rio internacional em uma \u00e1rea t\u00e3o importante como a das Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o (TICs): \u201cN\u00e3o nos inserimos apenas em produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, mas tamb\u00e9m em solu\u00e7\u00f5es que impactam diretamente a sociedade em iniciativas na fronteira do conhecimento das TICs\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pr\u00eamios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O PolKA foi o \u00fanico projeto da Am\u00e9rica Latina a receber o pr\u00eamio Google Research Scholar, em 2021. No ano seguinte, a tecnologia tamb\u00e9m foi agraciada pela empresa de tecnologia Intel, que destinou \u00e0 Ufes recursos tecnol\u00f3gicos avan\u00e7ados, capazes de transmitir enormes quantidades de dados em velocidades de at\u00e9 6,2 terabits por segundo (o equivalente a milhares de filmes por segundo), usando conex\u00f5es de 100 gigabits por segundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsses equipamentos fazem parte da estrutura do Laborat\u00f3rio do N\u00facleo de Redes Definidas por Software (LabNerds\/Ufes), um dos poucos no Brasil a participar de testes internacionais com tecnologia de ponta em redes de computadores program\u00e1veis\u201d, revela o professor Magnos Martinello. Tanto o desenvolvimento do PolKA quanto a cria\u00e7\u00e3o do LabNerds contaram com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colabora\u00e7\u00e3o da Ufes na an\u00e1lise de dados do telesc\u00f3pio fotogr\u00e1fico ser\u00e1 feita por meio do Laborat\u00f3rio Interinstitucional de e-Astronomia (Linea), do qual participam v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es brasileiras. Na \u00e1rea de redes de computadores, a atua\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada em conjunto com a RNP,&nbsp;<em>Americas Ligthpaths&nbsp;<\/em>(Amlight) e o grupo de trabalho da&nbsp;<em>Data Intensive Sciences<\/em>&nbsp;(Ci\u00eancias Intensivas em Dados), do&nbsp;<em>Global Network Advancement Group&nbsp;<\/em>(GNA-G). \u201cNas duas frentes, contamos com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores de diversos campi do Ifes, contribuindo com a descentraliza\u00e7\u00e3o e com a interioriza\u00e7\u00e3o da pesquisa de ponta no Esp\u00edrito Santo\u201d, finaliza Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0Thereza Marinho<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Fotos: Amlight<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Com imagens de alt\u00edssima resolu\u00e7\u00e3o captadas em intervalos regulares, o LSST promete 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