{"id":3745,"date":"2025-09-23T18:00:57","date_gmt":"2025-09-23T21:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3745"},"modified":"2025-10-21T14:37:18","modified_gmt":"2025-10-21T17:37:18","slug":"estudo-identifica-fatores-que-interferem-na-recuperacao-funcional-apos-traumatismo-cranioencefalico-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog-uki-dev.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/09\/23\/estudo-identifica-fatores-que-interferem-na-recuperacao-funcional-apos-traumatismo-cranioencefalico-grave\/","title":{"rendered":"Estudo identifica fatores que interferem na recupera\u00e7\u00e3o funcional ap\u00f3s traumatismo cranioencef\u00e1lico grave"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recupera\u00e7\u00e3o funcional de pacientes que sofrem um traumatismo cranioencef\u00e1lico (TCE) grave \u00e9 influenciada por fatores cl\u00ednicos e sociodemogr\u00e1ficos. N\u00edveis educacionais mais baixos est\u00e3o associados a piores resultados na avalia\u00e7\u00e3o um ano ap\u00f3s o trauma. A perman\u00eancia do paciente por mais tempo sob ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica tamb\u00e9m \u00e9 um fator de desfecho desfavor\u00e1vel, assim como a idade maior que 65 anos e a craniectomia descompressiva, que \u00e9 a cirurgia utilizada para redu\u00e7\u00e3o imediata da press\u00e3o intracraniana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas conclus\u00f5es est\u00e3o no artigo <strong><a href=\"https:\/\/www.rbf-bjpt.org.br\/en-predictors-functional-recovery-in-first-articulo-S1413355525000802\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Preditores de recupera\u00e7\u00e3o funcional no primeiro ano ap\u00f3s traumatismo cranioencef\u00e1lico grave<\/a><\/strong>, publicado no <em>Brazilian journal of Physical Therapy<\/em>, a quinta maior revista cient\u00edfica da \u00e1rea no mundo. \u201c\u00c9 o primeiro artigo da Am\u00e9rica do Sul a apresentar esses resultados espec\u00edficos, o que confere a ele um valor cient\u00edfico e acad\u00eamico de grande relev\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 para a comunidade cient\u00edfica, mas tamb\u00e9m para a sociedade em geral\u201d, afirma o professor Fernando Zanela, do Laborat\u00f3rio de Neurorreabilita\u00e7\u00e3o e Neuromodula\u00e7\u00e3o, vinculado ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas (PPGCF) da Ufes, um dos autores do artigo e o respons\u00e1vel pela linha de investiga\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acompanhamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi realizado com pacientes do Hospital Estadual de Urg\u00eancia e Emerg\u00eancia (HEUE), antigo S\u00e3o Lucas, em Vit\u00f3ria\/ES, que \u00e9 refer\u00eancia em trauma, entre maio de 2021 e maio de 2022. Nesse per\u00edodo, 420 pacientes com TCE foram internados naquela unidade hospitalar, sendo que, ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de inclus\u00e3o na pesquisa, 172 pacientes foram selecionados e, destes, 145 seguiram at\u00e9 o fim do acompanhamento um ano ap\u00f3s o trauma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os 145 pacientes pesquisados eram, em sua maioria, do sexo masculino (85%), com idade m\u00e9dia de 45 anos e baixa escolaridade (55,2%). As principais causas de les\u00e3o foram quedas (39,3%) e atropelamento (28,3%). O tempo m\u00e9dio de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica foi de 11 dias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores utilizaram uma ferramenta neurol\u00f3gica chamada Escala de Resultados de Glasgow (GOSE) para avaliar o n\u00edvel de consci\u00eancia e a gravidade da les\u00e3o cerebral no acompanhamento da recupera\u00e7\u00e3o funcional dos pacientes na alta hospitalar e ap\u00f3s tr\u00eas, seis e 12 meses.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um ano ap\u00f3s o trauma, 52% apresentaram boa recupera\u00e7\u00e3o funcional com \u201ctend\u00eancia progressiva, mas n\u00e3o resolutiva, visto que a preval\u00eancia de incapacidades e depend\u00eancia ainda era consider\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s an\u00e1lise individual de diversas vari\u00e1veis, idade, gravidade da les\u00e3o, realiza\u00e7\u00e3o de craniectomia descompressiva, tempo de perman\u00eancia em suporte ventilat\u00f3rio mec\u00e2nico e n\u00edvel de escolaridade foram selecionados como potenciais preditores de mortalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMais do que apontar fatores progn\u00f3sticos, os preditores identificados no estudo poder\u00e3o nortear n\u00e3o apenas o acompanhamento cl\u00ednico, mas tamb\u00e9m orientar pacientes e familiares sobre os poss\u00edveis desdobramentos do quadro, auxiliando na tomada de decis\u00f5es e no planejamento do futuro ap\u00f3s o trauma\u201d, disse Zanela. Ele complementa: \u201cEsses resultados podem contribuir de modo decisivo para aprimorar o cuidado integral a esses pacientes e para embasar a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que ampliem a preven\u00e7\u00e3o, reduzam sequelas e promovam uma melhor qualidade de vida aos sobreviventes e suas fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, o TCE representa uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente de sa\u00fade p\u00fablica. <a href=\"https:\/\/criticalcarescience.org\/article\/traumatic-brain-injury-hospital-incidence-in-brazil-an-analysis-of-the-past-10-years\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Entre 2008 e 2019, ocorreram no pa\u00eds, em m\u00e9dia, 131 interna\u00e7\u00f5es por traumatismo cr\u00e2nioencef\u00e1lico ao ano, com incid\u00eancia de 65,54 por 100 mil habitantes<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs resultados deste estudo t\u00eam potencial para subsidiar a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais efetivas voltadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o dos pacientes com traumatismo cranioencef\u00e1lico. O TCE figura hoje como a principal causa de morte em adultos jovens no Brasil, configurando-se como um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, mas que pode ser evitado\u201d, afirmou Zanela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, as principais causas de TCE est\u00e3o relacionadas a acidentes no ambiente de trabalho, acidentes de tr\u00e2nsito \u2014 principalmente motocicl\u00edsticos \u2014 e quedas, refletindo uma realidade preocupante tamb\u00e9m no Esp\u00edrito Santo, \u201conde os acidentes de trabalho despontam como o fator preponderante, seguidos pelos acidentes envolvendo motocicletas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor destaca que \u201cos dados apresentados na pesquisa refor\u00e7am a necessidade de estrat\u00e9gias integradas de preven\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito e nos ambientes laborais, al\u00e9m de investimentos em campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade e amplia\u00e7\u00e3o dos programas de reabilita\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Autores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa originou a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado da aluna J\u00e9ssica Vaz, egressa do PPGCF\/ Ufes. Al\u00e9m de Zanela e Vaz, assinaram o artigo no <em>Brazilian journal of Physical Therapy<\/em> o pesquisador Pedro Henrique Lirio, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP); a pesquisadora Carla Bernado Louzada e o pesquisador Lucas Nascimento, do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Integrada em Sa\u00fade da Ufes; as pesquisadoras Hanna de Almeida, Hellen Siler, Larissa Ramos e Thais Rodrigues, do Laborat\u00f3rio de Neurorreabilita\u00e7\u00e3o e Neuromodula\u00e7\u00e3o e do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Integrada em Sa\u00fade da Ufes; e o pesquisador Renato Campos Freire J\u00fanior, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Fisioterapia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Imagem: Freepik<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A pesquisa foi realizada com pacientes do Hospital Estadual de Urg\u00eancia e Emerg\u00eancia em Vit\u00f3ria\/ES, que \u00e9 refer\u00eancia em trauma, entre 2021 e 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